No fundo sou um poço de sensibilidade. Sou tão sensível, que esse troço todo me deixou melancólica.

Está ventando. Mas não, não aquele vento em que arrepia a espinha e balança levemente os cabelos, mas sim aquele em que deixa ondulações na calça, os pulmões tão cheios de ar, e o cabelo jogado para trás sem a mínima consideração.

 Aquele em que você se apóia na grade da varanda e sente que vai flutuar, seus olhos lacrimejam e o mundo parece não mais existir.

No céu os tons sobrepõem o vermelho no azul e o entardecer chega, as nuvens passam velozes sobre sua face e o vento parece deslizar dedos furiosos e gelados sobre sua pele. Oh… Por alguns momentos tive aquilo que não consegui no passado e que certamente não conseguirei no futuro: voar.